Banished

Banished não é um simulador de cidades como os outros. Apesar de a comparação com SimCity ou Tropico ser inevitável, este jogo de estratégia para PC coloca o dinheiro e a imigração de parte e centra a sua gestão, não só na produção de recursos naturais como pedras, madeira e ferro, mas sobretudo no acompanhamento da vida dos nossos cidadãos.

É através de um fabuloso tutorial que somos apresentados às mecânicas de jogo de Banished. Com um interface minimalista, capaz de integrar discretamente todos os menus de jogo nos cantos do ecrã, é a nossa cidade que é o centro de todas as atenções. É também aqui que nos apercebemos que, à medida que formos jogando, a importância de existir equilíbrio entre população activa e população infantil, será cada vez maior.

Assim, tal como acontece em qualquer sociedade do mundo real, para melhorar as condições de vida da população e proporcionar um crescimento sustentado das povoações, é necessário que a força de trabalho seja suficiente, não só para garantir a subsistência dos que trabalham, mas também das crianças, que não trabalham e consomem recursos alimentares.

Em Banished, todos os habitantes têm um nome, crescem, atingem a idade adulta e morrem. Ao contrário de outros títulos do género, começamos apenas com um pequeno grupo de habitantes que será a base de desenvolvimento da nossa cidade. Quer isto dizer que grande parte do desafio passa por aumentar a população de forma sustentada, sendo que, para isso, vamos precisar de comida para alimentar a população e casas para que as famílias possam constituir família.

Chegados à idade adulta, podemos atribuir tarefas aos nossos habitantes para obter recursos como pedras, madeira, fruta, carne e ferro para satisfazer as necessidades mais preementes. Para além da comida, muitos cidadãos vão precisar de algum conforto para prosseguirem com as suas vidas. No Inverno, por exemplo, a lenha é essencial para a sobrevivência das famílias. Por outro lado, como não existe dinheiro, vamos poder construir todo o tipo de edifícios, desde que tenhamos os recursos necessários para isso.

Quer em termos visuais, quer sonoros, podem esperar uma experiência bastante prazerosa, rica em belas texturas e melodias adequadas às situações de jogo. As quatro estações do ano estão detalhadamente retratadas e dá gosto ver a neve a cair no Inverno ou a folhagem das árvores, as plantações e os ribeiros a mudar consoante faça chuva ou faça sol.

Mas se, por um lado, Banished é capaz de nos agarrar durante largas horas a fio através das suas mecânicas simples e cativantes, cenários deslumbrantes e momentos desafiantes, ao fim de algum tempo podemos cair na rotina e ficar sem objectivos, já que não existe modo campanha nem objectivos a longo prazo. Contudo, evoluir a nossa cidade de forma sustentável e próspera é, só por si, desafio bastante para qualquer jogador .

Em suma, Banished é um simulador obrigatório para qualquer fã do género, que introduz de forma brilhante a gestão familiar e demográfica à equação típica deste tipo de jogos. Aqui, as pessoas não são meras ferramentas para aumentar a nossa capacidade produtiva. Elas têm nomes e necessidades que temos de atender para que possam viver, constituir família e contribuir para o crescimento da nossa cidade. Só é pena não existirem objectivos a balizar a nossa experiência. Queríamos mais!

Sobre Pedro Arede
Pedro Arede
É um entusiasta das novas tendências da tecnologia multimédia, com destaque para o mundo dos gadgets e videojogos. Licenciado em Jornalismo, partilha esta paixão com a do desporto, como atleta de alta competição na modalidade de esgrima.
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