Francisco Fonseca (AnubisNetworks): “o tempo do faroeste na internet”

A AnubisNetworks é uma empresa portuguesa de segurança informática, criada em 2006. Começaram por desenvolver soluções de segurança para correio electrónico e, na altura em que o nome “Cloud” ainda não estava tão propagado, a AnubisNetworks já oferecia uma plataforma que assentava no conceito: as empresas (clientes) recebiam correio electrónico através dos servidores da AnubisNetworks; eram tratados e depois enviados para as máquinas dos clientes. Mais tarde, esta solução foi reformulada para servir operadores de telecomunicações e fornecedores do serviço de internet, os quais podiam usufruir desta protecção dentro do seu sistema de nuvem.

O myfamily é outro produto desenvolvido pela AnubisNetworks, dirigido a este mercado de operadores: protege a navegação online em ambiente familiar, sem que o utilizador tenha de instalar qualquer aplicação no seu dispositivo, com a análise e protecção efectuadas na rede.

A terceira área da empresa é, talvez, a mais complicada de explicar: Real Time Threat Intelligence. Ou seja, é a detecção de ameaças em tempo real. “Nós recebemos muita informação diária de actividade online” – explica Francisco Fonseca, CEO da AnubisNetworks – “desses milhões de eventos, tentamos extrair algum sentido e compreender alguns fenómenos relacionados com a segurança”. Muitas pessoas têm os seus computadores comprometidos sem ter conhecimento disso. Em Portugal, já se contam mais de 75 mil máquinas infectadas, e, a nível global, os números diários rondam entre os dois e quatro milhões de computadores comprometidos com aplicações prontas a enviar informação sensível para uso indevido.

“Estamos a viver no tempo do faroeste na internet” – a expressão não é sua, confessa mais tarde, mas Francisco pediu-a emprestada para ilustrar a realidade digital dos dias que correm – “É uma selva lá fora e a maior parte das pessoa não deve ter noção disso”.

O actual paradigma de cibercrime é invisível para a maior parte dos utilizadores. Os malwares são criados e espalhados para roubar dados pessoais ou gerar tráfego para saturação da rede. A exploração da segurança por via de correio electrónico, redes sociais, como o Twitter e sistema de nomes de domínios (DNS) são alguns dos exemplos que Francisco Fonseca demonstra, na primeira parte da reportagem em vídeo (abaixo).

 

“Os anti-vírus já não têm a eficácia de outros tempos” afirmou Francisco Fonseca, CEO da AnubisNetworks, quando questionado pelas diferenças entre as duas gerações digitais: a do vírus transmitido via disquete e a actual dos malwares disseminados pela rede. “Estas novas variantes de malware não são detectadas pela maioria dos fabricantes convencionais. (…) Em cada dez ameaças apenas quatro são detectadas” comentou o gestor em relação à eficácia dos anti-vírus.

Já lá vai a era dos vírus considerados estáticos, propagados por memórias externas e disquetes. No entanto, Francisco Fonseca recomenda que se mantenha a utilização dos anti-vírus e firewalls, pois, embora pareçam adormecidos, os vírus ainda são ameaças presentes na internet e nos vários computadores que a compõem.

Agora a moda são pequenas aplicações, que tentam passar invisíveis ao utilizador, ao sistema operativo e até à rede, com o objectivo de enviar informação pessoal para um outro sistema oculto. “Hoje em dia existe um objectivo claro de obter um ganho financeiro”, explica o especialista em segurança. Francisco também alerta para a importância das actualizações dos sistemas operativos, porque “algumas infecções dão-se e só passados dias ou semanas é que há actividade. (…) Hoje em dia as coisas são feitas de maneira silenciosa (…) e existe um fenómeno que é muito mais complexo, perigoso e grave, quando alguns malwares são criados com a intenção de atacar determinada organização ou pessoa.”

Mas o que é utilizada tamanha quantidade de informação, quase imperceptível aos comuns? Na segunda parte da reportagem em vídeo (abaixo), Francisco Fonseca expõe várias situações onde uma protecção inteligente consegue assegurar a continuidade de processos e serviços, assim como diminuir o risco das empresas e a insatisfação dos seus clientes, neste caso com utilizadores domésticos como maioria.

A plataforma Cyberfeed permite às instituições bancárias controlarem o risco através do homebanking (acesso via internet). Ao utilizar esta solução, um banco pode ser informado se a máquina utilizada pelo cliente está infectada ou se tem algum histórico de infecção. Assim, por exemplo, os montantes autorizados para uma transferência podem ser reduzidos por motivos de segurança. Em caso de suspeita elevada – e é este o tipo de alerta que a Cyberfeed desperta -, pode ser feito um contacto directo com o cliente para confirmação da actividade.

O tema mais parece a sinopse de um filme americano, mas Francisco Fonseca testemunha casos que já aconteceram nas nossas fronteiras.

Sobre Daniel Marinho
Daniel Marinho
Fundador da "Multimédia com Todos"; formado em comunicação social e multimédia; fanático da interactividade digital, dos videojogos e da fotografia.
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