Mobile Payments: ontem, hoje e amanhã

Desde que o Homem começou a trocar e a comprar bens e serviços, os meios de pagamento iniciaram um longo e dinâmico processo de transformações e adaptações, tendo sempre em vista a valorização e a facilitação das transacções ao longo dos tempos.

Começando pelas operações comerciais que envolviam trocas directas de bens por bens ou serviços, passando pela cunhagem das primeiras moedas na Roma antiga, até ao aparecimento dos cheques, das transferências bancárias e do cartão de crédito, os meios de pagamento sempre foram diversos, adaptados ao quotidiano em questão e evoluindo conforme as necessidades das populações ao longo da história.

Mas, se noutros tempos a troca directa era uma prática bastante frequente, actualmente, para além do valor monetário estar no centro de paticamente todas as operações financeiras, é já, em muitas ocasiões, impensável pagar por determinado produto ou serviço com notas e moedas e de forma presencial. Veja-se o exemplo da Amazon. A empresa de comércio electrónico de Jeff Bezos, que começou em 1995 por vender livros através da internet, comercializa actualmente de tudo um pouco e factura por ano milhares de milhões de dólares.

Com o aparecimento dos sistemas bancários informatizados e, mais recentemente, com o advento tecnológico despoletado pelo aparecimento de equipamentos cada vez mais versáteis e poderosos, as transacções e os pagamentos querem-se não só instantâneos, mas também acessíveis a qualquer hora e em qualquer lugar a partir de dispositivos móveis como tablets e smartphones. Bem-vindos à Era dos pagamentos móveis.

O início de uma nova Era

Neste preciso momento, apesar de estarmos ainda a dar os primeiros passos no universo dos pagamentos móveis, muito tem sido debatido acerca do melhor rumo a dar neste campo, sendo já possível efectuar pagamentos e transacções a partir do nosso smartphone e através de diferentes tecnologias.

Em linhas gerais, os mobile payments, e termos como mobile money ou mobile wallet, podem ser associados a todos os serviços de pagamentos operados de acordo com o regulamento financeiro e concretizados com um dispositivo móvel. Aqui, em vez de utilizarmos um cheque, dinheiro ou o nosso cartão de crédito, é possível recorrer ao telemóvel para pagar por todo e qualquer tipo de produtos e serviços, quer sejam palpáveis ou não.

Actualmente, apesar das inúmeras tecnologias existentes que dão suporte a esta causa, existe uma em particular que se tem destacado das demais: o Near Field Comunication, mais conhecido por NFC.

Cada vez mais presentes no rol de especificações técnicas dos dispositivos móveis, o NFC é uma tecnologia que permite a troca de informações entre equipamentos que se encontrem próximos um do outro. Veja-se, por exemplo, o caso de equipamentos como o Sony Xperia Tablet Z, o Nexus 5 ou o LG G3.

Não havendo necessidade de cabos e configurações adicionais, o NFC permite executar uma multiplicidade de tarefas como carregar baterias, transferir ficheiros e informações, emparelhar dispositivos e claro, efectuar pagamentos.

Em termos de segurança, o NFC faz das suas principais forças, a curta distância de transmissão necessária entre os dispositivos emparelhados, que dificulta uma eventual intercepção do sinal, e ainda, a criação do protocolo SWP (Single Wire Protocol), que permite blindar a operação através de uma comunicação estabelecida entre o cartão SIM e o Chip NFC do equipamento.

Contudo, e apesar de haver ainda um longo caminho a percorrer no que diz respeito à disseminação desta tecnologia, o advento dos smartphones alavancou decisivamente a aposta das grandes marcas nas tecnologias de pagamento móveis. A Era dos Mobile Payments já começou e está aí para ficar.

Veja agora um pequeno vídeo explicativo da Simpleshow que sintetiza na perfeição as possibilidade do NFC.

O que posso comprar hoje com o meu smartphone? Na verdade, não muita coisa. No entanto, para além de cada vez mais dispositivos virem equipados com esta tecnologia, empresas como a Google ou a Visa têm contribuído decisivamente para que os pagamentos móveis se tornem cada vez mais comuns a cada dia que passa.

Disponível, para já, apenas nos EUA, o Google Wallet permite que os seus utilizadores criem uma carteira virtual onde podem incorporar, por exemplo, o seu cartão de crédito ou Paypal. Depois do saldo adicionado, para pagar através de NFC, basta abrir a aplicação e encostar o telemóvel ao terminal de pagamento.

Para além de permitir efectuar pagamentos sem recorrer a fios, o Google Wallet permite transferir montantes entre utilizadores, fazer compras no Google Play, adicionar cartões de fidelização de diferentes estabelecimentos e até requisitar um cartão que permite levantar dinheiro no Multibanco.

Com o Google Wallet, a gigante norte-americana pretende mostrar o caminho a seguir rumo a uma maior simplificação de processos e usabilidade para que a disseminação dos pagamentos móveis seja efectivamente uma realidade.

Contudo, mesmo sem a ajuda do Google ou de carteiras virtuais de outras grandes empresas, já começa a ser possível, um pouco por todo o mundo, efectuar pagamentos, recorrendo exclusivamente ao nosso smartphone. No Japão, por exemplo, já é possível adquirir passagens de metro através de NFC. Também em países como a Alemanha, Nova Zelândia, Irão, Itália, Finlândia, Turquia e Áustria já tiveram a oportunidade de testar com sucesso um sistema de pagamentos NFC destinado aos transportes públicos.

Em Portugal, apesar da adopção de pagamentos móveis não ser, para já, visível a olho nu, o NFC é uma tecnologia que os portugueses não estranham de todo. Recentemente, a Visa implementou no nosso país o sistema Visa payWave, que permite fazer pagamentos de baixo valor sem contacto, com o cartão de crédito ou débito, em menos de um segundo e sem necessidade de introduzir PIN ou assinar.

À semelhança da Google, no futuro, a Visa pretende criar uma carteira virtual compatível com o payWave para processar os pagamentos realizados com telemóveis equipados com NFC e com a aplicação de pagamentos da Visa.

Pagamentos Móveis: que futuro?

Como pudemos ver, caminhamos a passos largos para que os pagamentos efectuados exclusivamente com recurso ao nosso smartphone sejam uma prática corriqueira do quotidiano.

Até lá, para além da inclusão da tecnologia NFC em mais dispositivos, o futuro dos pagamentos móveis vai depender essencialmente do alinhamento da regulamentação relativa aos protocolos de utilização das tecnologias que suportam este tipo de pagamentos, da inclusão de terminais próprios nos locais de pagamento e da criação de interfaces e aplicações simples e apelativas para os utilizadores à imagem do Google Wallet.

Convém ainda frisar, que o NFC não é o único candidato a assumir as rédeas desta revolução. A Apple, que até ao momento rejeitou sempre a inclusão do NFC nos seus dispositivos, parece apostada em desenvolver uma estratégia de pagamentos móveis assente na tecnologia Touch ID, o leitor de impressões digitais apresentado pela primeira vez com o iPhone 5S.

Recentemente, a Clinkle, uma startup que conta com Richard Branson, fundador e CEO do grupo Virgin, como um dos seus principais investidores, parece também apostada em revolucionar o destino dos pagamentos móveis. A ideia do Clinkle é permitir que os seus futuros utilizadores façam transferências bancárias, sincronizem o seu cartão de crédito e efectuem pagamentos em loja com recurso à tecnologia Airlink e a uma frequência sonora específica.

No final de contas, qualquer que seja a tecnologia que venha a ser mais utilizada no futuro, o que é certo é que, para já, o NFC está na dianteira desta revolução móvel e, mais tarde ou mais cedo, estaremos todos a fazer compras de supermercado recorrendo única e exclusivamente aos nossos smartphones. É esperar para ver.

Sobre Pedro Arede
Pedro Arede
É um entusiasta das novas tendências da tecnologia multimédia, com destaque para o mundo dos gadgets e videojogos. Licenciado em Jornalismo, partilha esta paixão com a do desporto, como atleta de alta competição na modalidade de esgrima.
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