PES 2014 (PS3)

 

Pés. O acrónimo não podia funcionar melhor na nossa língua maternal quando se trata de o nome do videojogo de futebol mais vendido em Portugal (de acordo com a entidade distribuidora no nosso mercado). O Pro Evolution Soccer 2014, ou “o novo PES”, está disponível para PlayStation3, Xbox360 e computador, mas foi a versão da consola japonesa que nos chegou às mãos.

O tradicional calendário anual começou em 1994, com o lançamento do primeiro FIFA para as consolas de 16 bit. Desde então, todos os anos largam-se os cordões à bolsa, para comprar um jogo de futebol melhorado e actualizado. Por isto, o género é um dos mais envolventes em termos de realidade aplicada, com uma audiência do tamanho do desporto em si. O PES entrou nesta corrida alguns anos depois do seu grande rival, mas manteve sempre um lugar competitivo nas tabelas, chegando a destronar o FIFA muitas vezes.

A edição deste ano, o PES 2014, traz uma novidade maior à série. Tem um novo motor de jogo, o qual é utilizado no Metal Gear, o Fox Engine da Konami. Isto resulta num aspecto gráfico melhorado, de efeitos visuais, luz e animações mais fluidas, reflectido também na física presente em jogo, na bola e nos jogadores.

As figuras humanas dos jogadores sempre tiveram um ar grotesco nos videojogos e em PES 2014 a regra mantém-se. As caras são perfeitamente reconheciveis, à excepção do defesa Luisão, que tem uma cabeleira gigante. No campo, em termos visuais, é realmente bom. De cores vivas, modelos com bastante definição e muitos detalhes nos equipamentos.

A jogabilidade sofreu algumas alterações, para quem procura um novo desafio. Há novas funções de precisão, nos passes de desmarcação e remates, mas que podem ser desligadas para quando o jogo é partilhado com utilizadores de títulos anteriores. São intrusivas, requerem aprendizagem e, enquanto novidade, não são bem-vindas num jogo imediato de sofá.

Com o hábito, o PES 2014 lá se torna rápido e fluido, com os tais momentos de espectacularidade exigidos no futebol. Mas há uma barreira de combate que exige menção. No comando, são mais os períodos de frustração do que os de ânimo. Passes e remates de primeira requerem muita antecedência, a inteligência artificial nem sempre combina com as linhas de jogo, há imensas pausas no jogo como se a consola estivesse a processar algo (quando a bola simplesmente passa por uma linha de fundo, por ex.), os comentários áudio surgem atrasados com frequência, os árbitros parecem mais severos, fazer um passe curto a partir de um livre é sinónimo de entregar a bola ao adversário, e, embora seja muito mais fácil roubar a bola, é igualmente fácil perdê-la.

No geral, o PES 2014 assemelha-se a uma versão Beta de uma nova série. É promissora e revela muito potencial, mas vem carregada de imperfeições e de uma banda sonora eclética, algo estranha para o género. Para além de que, devido a questões de licenciamento, o Sporting tem outro nome. Aguardamos por uma actualização que ajuste um bocado a jogabilidade ou que, pelos menos, corrija as incómodas paragens quando a bola sai de campo. Até lá, continuaremos a treinar.

Sobre Daniel Marinho
Daniel Marinho
Fundador da "Multimédia com Todos"; formado em comunicação social e multimédia; fanático da interactividade digital, dos videojogos e da fotografia.
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