Sonic Lost World

O impensável acabou mesmo por acontecer. Se há alguns anos atrás seria improvável ver Sonic, a bem amada mascote da Sega, numa consola da Nintendo, mais difícil seria ver Sonic a tornar-se no protagonista de um título exclusivo da marca nipónica. No entanto, foi precisamente isso que aconteceu com o lançamento de Sonic Lost World para a Wii U e Nintendo 3DS.

Procurando devolver a glória de outros tempos a Sonic, que desde a entrada no universo 3D nunca foi unânime, a Sonic Team apostou numa mecânica renovada, que alterna entre o estilo clássico (em 2D) e uma dinâmica de exploração aberta (em 3D), onde podemos andar livremente por frenéticos mundos em alta definição.

Mas, se por um lado as inovações introduzidas pela combinação de mundos cilíndricos em 3D (bem ao estilo de Super Mario Galaxy) com a nostalgia oferecida pelos níveis em 2D, são bem-vindas e, inquestionavelmente, um marco para a série, por outro, dão a sensação de que a Sega está ainda à procura do melhor rumo para Sonic. De facto, oferecendo uma experiência divertida e bem executada em ambos casos, ao jogar Sonic Lost World, parece ainda haver dúvidas sobre se deverá ser dada primazia à velocidade típica de Sonic, se às plataformas.

Visualmente apelativo em ambas as versões, é na Wii U que a alta definição realça melhor a imensidão de cor que pinta o mundo que Sonic e Tails descobrem na sua viagem pelos céus. Ao controlar Sonic nos vastos níveis em 3D, podemos mover-nos livremente e seguir a toda a velocidade pelos cenários, tentando não ser bloqueados por inimigos ou obstáculos, ou explorar, paralelamente ao percurso principal, todos os segredos do nível através de outros caminhos moldados por várias plataformas.

Em termos de jogabilidade, Sonic Lost World consegue oferecer uma experiência fluída, divertida e coerente após algum tempo de habituação, onde, para além de podermos executar movimentos como Dash, Dash Kick, Spin Dash e o duplo salto, a grande novidade é possível de fazer um lock on automático aos nossos inimigos, quando Sonic está no ar. Isto permite-nos, não só atacar vários inimigos de enfiada, mas também não perder o ritmo do jogo quando estamos a seguir a toda a velocidade.

Ainda na versão Wii U podemos encontrar várias utilizações úteis para as funcionalidades do GamePad, sendo possível disparar Sonic para outra zona do nível, desenhar trajectórias para o nosso herói percorrer a alta velocidade e ainda, desfrutar dos mini jogos que vamos desbloqueando a partir dos níveis secretos.

Os modos multi-jogador são dois e dividem-se entre experiências competitivas e cooperativas. No primeiro os jogadores são colocados lado a lado numa corrida frenética através dos níveis do modo a solo, oferecendo um bom complemento para desfrutar a dois. Já o modo cooperativo está longe de ser uma mais valia, sendo que, enquanto um jogador controla Sonic normalmente, o outro pode acompanhá-lo com um veículo voador que pouco ou nada acrescenta aos níveis de Lost World, dada a velocidade a que tudo acontece.

Nintendo 3DS

A versão portátil de Sonic Lost World segue essencialmente as directrizes descritas para a Wii U, oferecendo gráficos soberbos e uma experiência bem conseguida, capaz de nos prender à nossa Nintendo 3DS durante largas horas. Sonic Lost World para 3DS falha, contudo, no design pouco cuidado de alguns níveis e numa perspectiva de câmara que teima em não colaborar em algumas situações.

Veredicto

Em suma, Sonic Lost World é um jogo que, apesar de não entrar para a lista de aquisições obrigatórias dos utilizadores da Wii U e da Nintendo 3DS, tem argumentos de sobra oferecer uma experiência desafiante, refrescante e divertida, graças à velocidade que consegue imprimir, ao seu universo visualmente deslumbrante, composto por níveis vastos e com muito por explorar, e à incontornável nostalgia oferecida pelos seus níveis em 2D.

Depois de jogar Sonic Lost World ficámos com a sensação de que, mais do que um jogo consistente, este é o primeiro passo na criação de um novo paradigma para a série Sonic The Hedgehog. Para já, apesar de haver muitas arestas por limar e alguma indefinição quanto à jogabilidade que deve ser privilegiada (velocidade vs exploração/plataformas), Sonic Lost World parece estar no bom caminho.

Sobre Pedro Arede
Pedro Arede
É um entusiasta das novas tendências da tecnologia multimédia, com destaque para o mundo dos gadgets e videojogos. Licenciado em Jornalismo, partilha esta paixão com a do desporto, como atleta de alta competição na modalidade de esgrima.
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