Tomb Raider

Em 1996, a indústria dos videojogos mudou radicalmente com o aparecimento de uma heroína, bastante vistosa, com um gosto pela arqueologia e aventura. Lara Croft aparecia com o primeiro jogo da série Tomb Raider. Agora, em 2013, a Crystal Dynamics tentou renovar a série e a protagonista. Será esta uma operação bem-sucedida?

Não é por acaso que a série Tomb Raider é umas das mais antigas, maiores e que mais seguidores tem no mundo dos videojogos. Uma heroína; aventura ao estilo Indiana Jones; puzzles desafiantes; histórias intrigantes; e um par de pistolas de fazer inveja ao Clint Eastwood; parece a receita perfeita para um bom jogo. A verdade é que a série foi decaindo e nem todos os jogos tiveram o êxito esperado. Na tentativa de reacender a chama por Lara Croft e pelo seu par, de pistolas, a Crystal Dynamics procurou reformular a série com este novo capítulo, que actua como um prólogo na série.

Lara Croft tem 21 anos e embarcou numa expedição em busca de Yamatai, o reino da rainha do sol. Pelo caminho, uma tempestade desfaz o navio e Lara encontra-se naufragada numa ilha desconhecida. Sem qualquer tipo de equipamento ou companhia, Lara terá de matar para sobreviver e procurar por armas e equipamento que lhe permita encontrar ajuda.

Tomb Raider é um puro jogo de acção. Esqueçam as secções com milhares de plataformas, saltos, saliências e alavancas. Aqui vão encontrar uma história boa e muitos momentos de acção de cortar a respiração, ao ponto de envergonhar Hollywood. A ilha e todo o mundo de jogo estão muito bem conseguidos e existem vários detalhes que dão vida ao cenário. Ao longo da aventura, as animações de Lara e os ângulos de câmara criam uma cinematografia muito forte, à semelhança do que outros jogos do género, como Uncharted, já haviam conseguido.

O jogo começa a mudar depois de Lara apanhar um arco e flecha. Terá de tornar-se caçadora e sobrevivente. As armas podem ser melhoradas com fragmentos, espalhados pelo mundo, e as nossas capacidades podem ser melhoradas com pontos de experiência.

Ao longo da aventura, para além do caminho principal, existem secções opcionais onde se encontram tumbas escondidas ou caminhos alternativos. Nestas secções encontramos puzzles, muito simples, que teremos de resolver para obter uma recompensa no final. Não são como os puzzles que catapultaram Lara Croft para o estrelato, mas dão para matar aquele bichinho pela descoberta da solução.

O mesmo se pode dizer das poucas secções de plataformas, sendo justo dizer que é muito agradável escalar uma parede vertical com um machado, ou criar uma linha de slide, lançando uma seta com uma corda atada. Contudo, existem novas opções onde é possível matar inimigos silenciosamente, com uma abordagem furtiva, ou lutar corpo-a-corpo de machado em riste. Ao longo do jogo surgem pequenos acampamentos que permitem viajar rapidamente entre eles e, desta forma, revisitar áreas e descobrir novos recursos. É também nos acampamentos que acedemos ao menu de melhoramentos e gastamos os pontos de experiência e fragmentos apanhados.

Para além dos visuais estarem muito bons, com especial destaque para Lara que continua a ser uma “bomba arqueológica”, os efeitos sonoros estão muito acima da média e excepcionalmente bem misturados. Portanto preparem as vossas colunas 5.1, e, já agora, os vossos vizinhos também.

Tomb Raider tem quatro modos multijogador online que não fogem muito aos tradicionais modos dos First Person Shooters. Apanhar equipamento médico, proteger, matar a outra equipa, etc… O modo online não é o forte de Tomb Raider e a sua inclusão passa despercebida pela qualidade do modo de campanha.

2013. Lara está diferente, adaptada ao paradigma actual dos videojogos. Tomb Raider é um jogo muito bom e que ombreia com os seus contemporâneos no género. Não fiquem decepcionados os fãs mais conservadores. Era uma mudança necessária e foi executada com mestria. Experimentem, pois valerá a pena.

Sobre Gonçalo Morais
Gonçalo Morais
Apresentador e actor; músico e DJ; as suas performances desviam-se da formação académica em cardiopneumologia... ou não!
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