Castlevania: Lords of Shadow 2

Desde a década de 80 que Castlevania é uma série icónica do mundo dos videojogos. Passou por quase todas as consolas existentes desde o lançamento e atravessou bons e maus momentos. Na história recente, em 2010, a série levou um lifting e ganhou nova vida com o início de uma trilogia dentro do universo Castlevania. Lords Of Shadow é composto por Castlevania: Lords Of Shadow, Castlevania: Lords Of Shadow – Mirror Of Fate e encerra agora com Castlevania: Lords Of Shadow 2. Nesta trilogia a série aproximou-se da jogabilidade típica de God Of War.

Praticamente no início de Lords Of Shadow 2, Drácula acorda de um sono de séculos no seu túmulo, enfraquecido e num tempo que já não é o dele. Encontra-se no mundo moderno e terá de ajudar Zobek a combater Satanás e seus acólitos. Se o fizer, Zobek dará a Drácula aquilo que ele mais anseia: pôr fim à sua imortalidade.

Desde o início que somos brindados com uma grande banda sonora. É este o primeiro grande ponto positivo para Lords Of Shadow 2. As músicas que acompanham o jogo são brutais e pintam da melhor maneira o ambiente do jogo. Pelo menos os momentos medievais, mas já lá vamos.

Lords Of Shadow 2 apresenta um grafismo muito bom e nunca visto na série. Indo, claramente, buscar inspiração à série God Of War, apresenta cenários grandes, interessantes, texturas bem trabalhadas, boas animações, momentos de esplendor e grande acção e ainda algumas batalhas épicas com inimigos colossais. O combate tem algumas falhas, mas no geral é muito gratificante. Usando combinações de ataques, e bloqueios no momento certo, vamos destruindo os inimigos e ganhando pontos de experiência para desbloquearmos novos ataques e melhorarmos as nossas armas. Este sistema funciona bem e é variado o suficiente para nos levar a procurar obter mais experiência para desbloquear novos atributos.

O mesmo já não se pode dizer acerca das novas secções de acção furtiva. Nestes momentos de puro tormento, até a música é má. Drácula perde a capacidade de combater e entramos no jogo do gato e do rato. Isto literalmente, já que Dracula tem de possuir um grupo de ratos para passar despercebido iludindo os adversários para progredir. Estes momentos têm tanto de irritante como de trágico, já que cortam por completo o ritmo do resto do jogo, que até é bom. Uma autêntica tragédia que só se atenua se conseguirem abstrair-se destes momentos e passarem por eles o mais rápido possível.

Drácula passará parte do jogo passeando por ruas com carros, comboios e pessoas contemporâneas. Pode pensar-se, num primeiro momento, que até poderá ser interessante esta mistura de universos. Mas bastam uns minutos para perceber que há coisas que, tal como água e azeite, não devem misturar-se.

Drácula a saltar em cima de um carro? A combater inimigos com lança-mísseis? A matar demónios numa fábrica Bioquímica? Ainda por cima os cenários, neste mundo moderno, perdem todo o esplendor e grandiosidade que têm nas secções medievais e em castelos góticos. Felizmente, o jogo também tem bons momentos, sobretudo nas alturas em que matamos demónios no sítio certo: Castelos! Catedrais! Coisas de Pedra e grandes! São estes momentos que nos lembram o que Lords Of Shadow 2 poderia ter sido, se tivesse apostado mais no que já provou fazer bem e no universo que é o seu, onde Drácula já demonstrou ser o rei indisputado.

Apesar de ser uma experiência algo dividida, apresentando momentos excelentes e outros medíocres, Lords Of Shadow 2 tem potencial para agradar aos fãs da trilogia. Tem uma banda sonora excelente e visualmente é o melhor Castlevania de sempre. Pena que a trama e as opções da equipa de desenvolvimento não tenham acompanhado as evoluções técnicas e as expectativas dos fãs.

Sobre Gonçalo Morais
Gonçalo Morais
Apresentador e actor; músico e DJ; as suas performances desviam-se da formação académica em cardiopneumologia... ou não!
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