Donkey Kong Country: Tropical Freeze

Acho que perdi a conta aos macacos que ficaram sem vida para poder escrever esta análise. Após um adiamento inesperado no final do ano passado, Donkey Kong Country: Tropical Freeze chegou finalmente à Wii U, recuperando o formato clássico que trouxe sucesso à série. Ou seja, plataformas desafiantes em 2D, melodias memoráveis, barris explosivos, alguma frustração e muitas bananas, claro.

Fazendo questão de nos recordar sempre que a herança do marcante Donkey Kong Country para a SNES não foi esquecida, Donkey Kong Country: Tropical Freeze leva o jogador através de uma aventura ao longo de seis mundos exóticos, onde temos a oportunidade de controlar Donkey Kong e mais um personagem em simultâneo com o objectivo de recuperar o território perdido para um grupo de malévolos pinguins.

Para além de Donkey Kong, este título deixa-nos encarnar a pele de Diddy, Dixie e Cranky Kong, sendo que cada um destes pequenos símios possui características únicas que podemos utilizar para nos mantermos vivos e descobrir centenas de segredos que se escondem nos níveis de Tropical Freeze. Qualquer um dos elementos desta trupe tem uma aparência deslumbrante tanto na TV como no Wii U GamePad, sendo de louvar o elevado nível de detalhe depositado, já que se quisermos, é até possivel contar quantos pêlos tem cada uma destas personagens.  

Também o mundo criado para dar vida a Tropical Freeze é um regalo para a vista. Visualmente impressionantes, apelativos e detalhados, os níveis de c estão magistralmente arquitectados, oferecendo-nos variedade, desafio e uma sensação de imersão que poucos jogos em 2D são capazes de oferecer.

Apesar das mecânicas de jogo se manterem inalteradas até ao fim, as reviravoltas constantemente operadas nos seus níveis tornam a experiência única e variada, dado que tão depressa estamos pacatamente a coleccionar bananas, como encaixados num carrinho de minas ou a fugir montados no dorso de um rinoceronte enquanto tudo à volta começa a desmoronar.

À semelhança de outros tempos, Donkey Kong: Tropical Freeze não está aqui para facilitar a vida a ninguém. A dificuldade é uma constante presente em praticamente todos os níveis e vai crescendo à medida que vamos jogando. Apesar de nos colocar muitas vezes à beira de um ataque de nervos, o desafio é bem-vindo e compensador no final de cada nível que é por norma longo mas divertido. Ao contrário dos jogos de Super Mario, que utilizam o factor tempo para colocar mais alguma pressão, aqui o desafio resume-se única e exclusivamente à destreza do jogador, que, devido à física “pesada” das personagens deste título, tem de calcular com precisão redobrada o timing dos saltos a fazer.

Apesar de proporcionar tudo aquilo que se esperava, o modo multiplayer de Donkey Kong: Tropical Freeze podia ter sido trabalhado de outra forma. Contrariamente ao épico e incomparável modo multi-jogador de Rayman Legends, é impossível o segundo jogador ingressar no jogo enquanto este está a decorrer em single player. Para além disso, seria interessante que o segundo jogador pudesse trocar entre Diddy, Dixie e Cranky Kong sempre que desejasse ou que as necessidades do momento assim o ditassem.       

De referir também que infelizmente, além de permitir jogar este título sem recurso à TV, o Wii U GamePad não oferece mais nenhuma vantangem a Donkey Kong: Tropical Freeze, sendo que o seu ecrã se desliga mal começamos a jogar na televisão.

Em suma, Donkey Kong: Tropical Freeze é um título que faz jus aos “bons velhos tempos”, sendo absolutamente obrigatório para todos os fãs da série, saudosistas do género em 2D e amantes de um bom jogo de plataformas. Para além disso, através dos seus níveis incrívelmente bem construídos, variados e repletos de segredos por desvendar, Donkey Kong: Tropical Freeze oferece muitas horas de jogo e é exímio em balancear humor, diversão e visuais soberbos com uma boa dose de desafio.

Para ser perfeito só faltam mesmo algumas afinações no modo multiplayer, o acesso a novas funcionalidades através do Wii U Gamepad e a redução de alguns tempos de loading.

Sobre Pedro Arede
Pedro Arede
É um entusiasta das novas tendências da tecnologia multimédia, com destaque para o mundo dos gadgets e videojogos. Licenciado em Jornalismo, partilha esta paixão com a do desporto, como atleta de alta competição na modalidade de esgrima.
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